Hildebrando de Menezes redivivo

Apresentação da Wikipédia de Hildebrando Gomes de Menezes criada pelo IGHP.

Este IGHP tem a honra de compartilhar com seu público a justa e merecida iniciativa de criação da Wikipédia de Hildebrando Gomes de Menezes. Personalidade citada nas postagens A Semente plantada a um século (1921-1924) e Revivendo o Correio do Sertão (1934-1937), o homem plural, cujo nome batizou o complexo do Centro Cultural de Petrolândia, foi incansável militante na defesa do sertão e na melhoria de vida dos sertanejos, tendo assumido outros papeis paralelamente ao de jornalista (por vocação) durante seus bem movimentados 94 anos de vida.

A motivação primeira para a realização deste trabalho foi o fato de encontrarmos muito pouco ou quase nada sobre Hildebrando em pesquisas pelo seu nome no Google. Tomamos como ponto de partida de nossa pesquisa escritos inéditos de seu filho Adelmo (que chegou a organizar uma rica compilação de artigos extraídos de jornais da época para futura publicação em livro) e textos sobre Hildebrando constantes do livro “DE JATOBÁ A PETROLÂNDIA (Três Nomes, Uma Cidade, Um Povo)” de seu outro filho Gilberto de Menezes.

Destacamos aqui, do conteúdo produzido para esse artigo biográfico na Wikipédia, a seção “Cronologia sumária“, que apresenta os principais acontecimentos de sua vida de maneira sintética ano após ano, bem como a tabela de atalhos para mais de duas dezenas de artigos seus publicados no Diário de Pernambuco de 1932 até 1967 dentre outras matérias envolvendo sua participação na seção “Colaborações e citações em jornais“.

Adotamos a Wikipédia como sítio para abrigar o resultado inicial deste trabalho pelo nosso sincero reconhecimento acerca do tamanho da trajetória de Hildebrando, que com certeza vai além das fronteiras de nossa querida Petrolândia. A plataforma é regida por critérios de verificabilidade de fontes, os quais procuramos respeitar com desvelo, realizando os devidos apontamentos das referências consultadas sempre que possível.

A versão ora liberada desse artigo na Wikipédia não tem a pretensão de encerrar ou resumir a história do Hildebrando, mas sim de inspirar outras pessoas a também colaborar com novas informações e correções, a fim de respeitosamente preservarmos a memória e o legado de luta desse corajoso sertanejo.

Boa leitura e até a próxima!

Revivendo o Correio do Sertão (1934-1937)

Apresentação do acervo de edições do Correio do Sertão organizado pelo IGHP.

Falando com o Sertão

O IGHP mais uma vez se regozija em poder convidar seu público a reviver as tantas histórias contadas em prol do povo sertanejo pelo Correio do Sertão na Jatobá e Itaparica nos meados da marcante e decisiva década de 30 no Brasil.

Embarque com a gente e boa viagem!

Contexto histórico

Em março de 1934, a nova Constituição do Brasil é promulgada e Getúlio Vargas, governando desde 1930 em regime provisório, acabara de garantir a continuidade de seu governo por mais quatro anos, abrindo passagem à sua fase ditatorial. É então em outubro deste mesmo ano, distante uma década do último número do seu A Semente, que Hildebrando Gomes de Menezes funda, em Jatobá, seu segundo jornal denominado CORREIO DO SERTÃO.

Do acervo de Publicações Digitalizadas da Fundação Joaquim Nabuco no Volume 13 da “História da Imprensa de Pernambuco”, à página 555 em seção intitulada “CORREIO DO SERTÃO”, da parte que versa sobre o município de Petrolândia, temos que o novo jornal de Hildebrando “(…) apoiou, politicamente, o governo estadual, ocupado por Carlos de Lima Cavalcanti“.

Em 1930 Hilbebrando é nomeado Delegado de Ensino de Jatobá de Tacaratu pelo então Governador Carlos de Lima Cavalcanti, acumulando esta função com a de prefeito, nomeado pelo mesmo governador, estando assim ligado à Comarca de Tacaratu, então sede do Município.

Do livro “De Jatobá a Petrolândia – três nomes, uma cidade, um povo” (de Gilberto de Menezes, filho de Hildebrando)

Na Jatobá de 34 a expectativa era de progresso: empregos em alta, dinheiro circulando e comércio movimentado, a Cia. Agrícola e Pastoril do São Francisco iniciando os trabalhos de aproveitamento do potencial energético da cachoeira de Itaparica e a Comissão de Piscicultura do Nordeste chegando para desenvolver melhoramento das espécies em águas correntes, visando ao abastecimento de peixes nos açudes construídos pela então Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (atual DNOCS).

No Estado, no entanto, o clima político se desgastava celeremente, o que motivou seu interventor a organizar o Partido Socialista Democrático a fim de concorrer nas eleições indiretas. Descontente com as tentativas de Vargas de perpetuação no poder, Carlos de Lima vai se convertendo em crítico tenaz da situação através de seus jornais. Em 10 de novembro de 1937 se configura o golpe com a instauração do Estado Novo e os agora então perseguidos irmãos Lima de Cavalcanti têm seus jornais fechados e Agamenon Magalhães é nomeado novo governador de Pernambuco.

Não por acaso, nessa mesma época, em Itaparica (novo nome da cidade de Jatobá, modificado através do projeto de Lei do então Deputado Hildebrando), seguramente ciente dos riscos aos quais estava sujeita a ‘imprensa livre’ da época durante regimes detatoriais, Hildebrando resolve se antecipar optando pelo abrupto encerramento das atividades do Correio do Sertão.

Todavia, amante que era das letras e de sua região, não abandonou o ofício e passou a atuar como colaborador dos recifenses Diário de Pernambuco e Jornal Pequeno, geralmente publicando artigos em defesa do Sertão.

Um semanário sertanejo

Tendo o “PROGRAMMA – DEFEZA DOS INTERESSES SERTANEJOS” como subtítulo permanente desde seu número inaugural a 4 de outubro de 1934 até o derradeiro em 28 de fevereiro de 1937, o semanário fundado por Hildebrando de Menezes e impresso pela Tipografia União (também de sua propriedade) descreve seu “programma” de propósitos logo na matéria de capa de sua primeira edição conforme abaixo:

E esse programma é excluzivamente defender os interesses sertanejos. Sem paixão, sem partidarismo, impessoal no commento dos factos, sincero na explanação das necessidades do nosso empobrecido hinterland, com uma secção de informações veridicas doas acontecimentos que se desenrolarem no Paiz, destinada ao nosso sertanejo que não tem tempo ou recurso para ler os grandes jornaes, o Correio do Sertão tem ancia de ser util desse modo a zona em que nasceu e vae viver.

Parágrafo 2º. do Nº. 1 do Correio do Sertão

É com ares de uma simbólica modernidade, aqui percebida no vocábulo interior, traduzido do estrangeirismo “hinterland” no fragmento acima, que o “falar para o interior e em nome das causas sertanejas” parece timbrar a destinação primária do novo jornal de Jatobá. Tomaram corpo nas folhas da publicação temáticas como agricultura, irrigação, crédito para o sertão, pecuária, alimentação, higiene, ruralismo e fomento à produção de mamona e algodão, dentre outras.

Antenado com as mudanças advindas da nova Legislação Eleitoral em vigor a partir de 1934, que entre outras mudanças, passava a permitir o voto feminino, o Correio do Sertão abriu espaço a publicações de autoria de moças de famílias ilustres, reconhecendo o protagonismo das mulheres no setor literário e cultural. Setor este, altamente prestigiado pelo jornal, com destaque para as festas do Padroeiro, os festejos natalinos e o carnaval, que também mereceram ampla cobertura.

Constata-se ainda, no mesmo texto referido acima de lançamento do jornal, o importante elo entre entre as duas empreitadas jornalísticas do visionário Hildebrando, quando lemos que o Correio do Sertão “(…) veio substituir ‘A Semente’ que plantamos aqui com a confiança inabalável de crentes na força praliferadora das bôas ideias; é elle assim, como que o fruto dessa semente que praliferou no bom terreno alimentado pelas nossas forças espirituaes”.

Além de seguir carreira na trilha aberta de A SEMENTE, é também digno de nota que o fundador do Correio do Sertão se sentia motivado pela prévia experiência de dirigir o JORNAL DA PEDRA e cuidar para que a luta em prol dos interesses da zona sertaneja não esmaecesse.

Em formato de 33/22 cm e com 4 páginas de quatro colunas estreitas, manteve-se até seu fechamento com a promessa de sempre sair aos domingos, embora tenha saído também em datas incertas. Do Volume 13 da “História da Imprensa de Pernambuco” referenciado no início desta postagem, temos também que Hildebrando sempre esteve na função de diretor (apesar de suas longas ausências) e que nunca se viu tabelas de assinaturas e nem se divulgaram nomes de outros redatores. Todavia do texto da FUNDAJ sabe-se também que o jornal “Inseria, também, colaboração de Alexandre Meneses, Lauro Góis, Vesano, o das ‘Maluquices’; Djalma Meneses, A. Mendonça, M. N. G., autor da seção ‘Perfilando’; Estevão Soares e, além de raros outros, Olho Grande que, cada ano, redigia, na época carnavalesca, a seção ‘No reinado da pândega’. Alguma literatura, propriamente, veio a ocorrer já no fim da existência da folha”.

Anúncios pitorescos do Sertão

Fizemos recortes de anúncios das folhas do Correio do Sertão de nosso acervo. Destaca-se o da loja M. Ovídio & Sobrinho (de Manuel Ovídio) pela variedade de produtos em oferta (de colchões a leite condensado). “O Barracão”, como era popularmente conhecido, mudou de proprietário e passou a se chamar “Casa Baiana”, mas manteve-se funcionando no mesmo endereço e munido do sortimento de sempre até a transferência da cidade, em razão da construção da barragem de Itaparica.

O famoso depurativo “Elixir de Nogueira“, o “Xarope S. João” com seu grito libertador “Larga-me! Deixa-me gritar“, o poderoso tônico “Vinho Creosotado” e para dor de cabeça a “CAFIASPIRINA” da BAYER (em três divertidas versões de propagandas) na linha de frente dos produtos medicinais.

A “CLÍNICA ODONTOLÓGICA Antônio Almeida“, a “Loja S. Pedro” e a “Typographia União” (do fundador do jornal) são outros anunciantes que marcavam presença no jornal.

A galeria abaixo reúne nossos recortes dos anúncios citados acima:

Nosso Acervo

O acervo do Correio do Sertão do IGHP abrange quase metade do total de 94 edições publicadas do jornal, sendo 46 números mais uma edição Suplementar de 13/05/1935. As mais de 170 imagens de páginas do jornal foram capturadas a partir de originais doados a este instituto por Gilberto de Menezes, filho de seu fundador.

Com a finalidade de completar este acervo, o IGHP deseja ainda acessar as edições publicadas entre novembro de 1935 e fevereiro de 1937, que constam da coleção completa dos exemplares publicados pelo Correio do Sertão, doada por Hildedrando ao Arquivo Público Estadual de Pernambuco.

ANNO I

    • Nº. 01 (dia 04) – Correio do Sertão
    • Nº. 02 (dia 14) – Pro Agricultores das Serras Negra e do Periquito
    • Nº. 03 (dia 21) – Commentarios Opportunos
    • Nº. 04 (dia 28) – Pelo Sertão Nordestino

    Out/34

    • Nº. 05 (dia 04) – Medidas Contra as Seccas nos Sertões do Nordeste
    • Nº. 06 (dia 11) – Pelos Principaes Interesses do Sertão
    • Nº. 07 (dia 18) – A Emmissão de Apolices do Estado para Garantia de um Emprestimo a Cia. Agrícola e Pastorial do S. Francisco
    • Nº. 08 (dia 25) – Pela Instrucção; Sobre o ensino religioso nas escolas

    Nov/34

    • Nº. 09 (dia 02) – O Travessão da Serra de Tacaratú. Sua importância e seus oppositores
    • Nº. 10 (dia 09) – Com o fisco federal
    • Nº. 11 (dia 16) – A situação da pecuaria sertaneja
    • Nº. 12 (dia 23) – O aniquilamento do banditismo
    • Nº. 13 (dia 30) – Pró interesses do Sertão

    Dez/34

    • Nº. 14 (dia 06) – O travessão da Serra de Tacaratú
    • Nº. 15 (dia 13) – Commentarios opportunos
    • Nº. 16 (dia 20) – As necessidades do Sertão como estão sendo tratadas no Recife
    • Nº. 17 (dia 27) – A irrigação salvará o sertão do flagello das seccas

    Jan/35

    • Nº. 18 (dia 03) – Credito para o Sertão
    • Nº. 19 (dia 10) – O travessão da Serra de Tacaratú
    • Nº. 20 (dia 27) – Pela nossa pecuaria
    N.º 20: A página 3 está como 'Segunda página' , acreditamos ter sido erro na impressão.

    Fev/35

    • Nº. 21 (dia 03) – Pro interesses de Floresta
    • Nº. 22 (dia 10) – Necessidades de Caixas ruraes no Sertão
    • Nº. 23 (dia 24) – A serra de Tacaratú
    • Nº. 24 (dia 31) – Dois grandes certames
    N.º 23: Está faltando a página 3 deste número.

    Mar/35

    • Nº. 25 (dia 07) – Cuidemos de nossas terras
    • Nº. 26 (dia 21) – DO RECIFE
    • Nº. 27 (dia 28) – Emendas ao Ante Projecto de Constituição do Estado
    N.º 25: Estão faltando as páginas 2 e 3 deste número.

    Abr/35

    • Nº. 28 (dia 12) – Necessidade de credito para o sertão
    • Suplemento (dia 13) – PELOS INTERESSES DA IMPRENSA DO INTERIOR DE PERNAMBUCO
    • Nº. 29 (dia 19) – DO RECIFE; Projecto do Governo do Estado
    • Nº. 30 (dia 26) – DO RECIFE; Semana Ruralista em Jatobá
    N.º 28: Neste número observamos que a página 1 está com data de 13/05/1935 e acreditamos que possa ter sido erro na impressão, uma vez que as demais páginas estão com data de 12/05/1935 e dia 13 saiu o Suplemento.

    Mai/35

    • Nº. 31 (dia 02) – DO RECIFE; O plantio do feijão
    • Nº. 32 (dia 16) – DO RECIFE; Senana Ruralista de Jatobá
    • Nº. 33 (dia 23) – DO RECIFE
    • Nº. 34 (dia 30) – DO RECIFE; A Installação do Circulo de Amigos da Instrucção

    Jun/35

    • Nº. 35 (dia 07) – A nossa exposição
    • Nº. 36 (dia 26) – As Semanas Ruralistas
    N.º 36: Neste número observamos que as páginas 3 e 4 foram indevidamente impressas como 'Sétima' e 'Oitava' páginas, respectivamente. 

    Jul/35

    • Nº. 37 (dia 04) – OS TRABALHOS DA SEMANA RURALISTA DE JATOBÁ
    • Nº. 38 (dia 11) – O que penso sobre candidactos a prefeitos e vereadores do nosso municipio
    • Nº. 39 (dia 25) – O nosso municipio acima de tudo

    Ago/35

    • Nº. 40 (dia 01) – DO RECIFE; OS TRABALHOS DA SEMANA RURALISTA DE JATOBÁ
    • Nº. 41 (dia 08) – TUDO PELO NOSSO MUNICIPIO
    • Nº. 42 (dia 15) – Em torno de um projeto util
    • Nº. 43 (dia 29) – Verdades que devem ser conhecidas
    N.º 42: Este foi o último número em o nome da cidade foi impresso como 'Jatobá'.
    N.º 43: A partir deste número o nome da cidade passou a ser impresso como 'Itaparica' ou 'Itaparica (Antigo Jatobá).

    Set/35

    • Nº. 44 (dia 06) – NOSSO PRIMEIRO ANNIVERSARIO
    N.º 44: Este foi o último número do ANNO I do semanário.

    Out/35

ANNO II

    • Nº. 45 (dia 13) – O algodão e a mamona
    • Nº. 46 (dia 20) – Prespectiva Agradavel
    • A resgatar …

    Out/35

Pesquisa: Paula Francinete Rubens de Menezes

O ossário da gruta do padre

O ossuário da “Gruta do Padre”, em Itaparica e algumas notícias sobre remanescentes indígenas do Nordeste”. O texto é resultado de uma palestra realizada no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, no dia 10 de julho de 1937 e publicado inicialmente nos volumes XIV a XVII do Boletim do Museu Nacional, referentes aos anos de 1938 a 1941, e impresso pela Imprensa Nacional em 1942.BOLETIM DO MUSEU NACIONAL

PRÉ HISTÓRIA DO NORDESTE DO BRASIL