MUP.03 – Manoel Anísio da Mota

Manoel Anísio da Mota, o Galego: feitor de sonhos – Por Dalva Mota

Manoel Anísio da Mota

MUP.03

Autor

Paula Rubens

PUBLICADO EM

30/07/2021

TAGS

1. Futebol 2. Petrolândia

SINOPSE

Fundador do Central Esporte Clube de Petrolândia, do primeiro estádio de futebol da cidade e do Clube Piçarrinha, Manuel Anisio da Mota deixou sua marca na história de Petrolândia. Nesta cronologia organizada por sua filha Dalva Mota, pode-se conhecer melhor esse personagem que hoje dá nome ao Estádio Municipal de Futebol de Petrolândia.

HISTÓRIA COMPLETA

Anos 20 – Uma família dedicada ao trabalho

Nascimento de Manoel Anísio da Mota no município de Capela, Sergipe, em março de 1919. Filho de Maria Clara de Andrade e João Muniz da Mota, tinha nove irmãos: Maria Andrade (Vivinha), Figueiredo (Senê), Maria Santana (Santaninha) Maria Conceição (Marina), Risalva, Maria Aparecida, Paulinho, Antônio e Leonardo. Infância marcada pelo trabalho na agricultura com os pais e irmãos. Aprendizado das primeiras letras que permitiram assinar o nome e a ler com certo embaraço.

Anos 30 – Um jovem mecânico e soldador de carteirinha

Adolescência de trabalho. No final da década, antes da maioridade, muda para a casa da irmã mais velha em Aracaju, Sergipe, para aprender a profissão de mecânico na oficina do Sr. Garangau, profissional afamado na cidade. Obtém carteira de soldador. Estreia nos namoros e conhece Dalva, uma professora primária, a quem homenageou nominando uma filha (toda sua vida gostou da música Meus Tempos de Criança, de Ataulfo Alves, que diz “que saudades da professorinha…”). O namoro não vingou. Conheceu Alta, namoram, casam no civil e tiveram três filhos: Claudionor, Onésimo e Claudionora.

Anos 40 – A sedução do trabalho com salário

Em busca do sonho do trabalho assalariado, viaja para Petrolândia, Pernambuco, para trabalhar como soldador nas obras de irrigação do Núcleo Colonial Agroindustrial do São Francisco e, depois, nas obras hidrelétricas de Paulo Afonso, Bahia. Alta muda de Aracaju para Petrolândia para reunir a família. Entretanto, permanece por pouco tempo. Ele conhece Antônia Campos (Toinha).

Anos 50 – A paixão pela autonomia

 Casa com Toinha no religioso em 1950. Parte da herança dela é investida em uma oficina, carta de alforria para quem não se adaptou a trabalhar sob mando. Bem estabelecido na cidade, fama na região como soldador, enraíza em Petrolândia. Década de prosperidade. Nascimento de Sandra, Elizabete (Beta), Liosmar (Mazinho), Olga e Dalva. Sonha e realiza na mesma velocidade. Constrói um galpão para a Oficina Mecânica Mota e um prédio para o Hotel Central na entrada da cidade, no lugar conhecido como Shell. Era a época em que ônibus não viajava à noite e os passageiros dormiam no hotel e se fartavam com biscoitos cream cracker no café da manhã, uma novidade. Apaixonado por futebol, viaja para assistir jogos nas capitais mais próximas e vê Pelé no clássico Santos e Milan da Itália no Rio de Janeiro.

Anos 60 – Três iniciativas singulares: um campo de futebol, um time e um clube

Nasce Marcos, o caçula dos filhos com Toinha. Como outros homens da sua época, Galego apreciava “bater bola” no campo de Petrolândia no final da tarde. Concorrência grande, ruim de bola, um dia foi rejeitado. Cismou e decidiu fazer um campo com as próprias mãos. Inaugurado em 1963, o Estádio Manuel Anísio da Mota foi o primeiro campo murado de tijolos e gramado na região. Paralelamente, formou um time que foi referência no Estado de Pernambuco: o Central Futebol Clube de Petrolândia, com jovens de diferentes municípios, com salário e residência no hotel. O estádio teve grande movimentação, coroada com um jogo do Central com o Santa Cruz do Recife. Após o estádio, constrói o Clube Piçarrinha e inaugura em 1967. Clube histórico por acolher todos os grupos, particularmente os jogadores, a torcida do Central e negros pobres. Casa com uma jovem de Petrolândia, mas logo separa. Se desfaz dos seus bens e diz adeus a Petrolândia com destino a Paulo Afonso.

Anos 70 – Recomeços em Paulo Afonso

Em Paulo Afonso, se estabelece em uma casa cedida por um compadre no Bairro Rodoviário. Instala a oficina, uma mercearia e o fornecimento de alimentação para trabalhadores de uma empresa terceirizada. Juntamente com Nercila Glória (Cecília) têm quatro filhas: Sara Glória (Sazalon), Genoly, Helena e Lucélia., reativa a paixão pelo futebol, treinando o time e participando de vários campeonatos. Inicia a construção de um empreendimento próprio com oficina, restaurante e sorveteria em terreno situado no leito de um riacho, mesmo que advertido. Junto com Maria José (Zezé) têm o primeiro filho: Denísio. Após sofrer duas inundações, constrói outra casa em lugar seguro nas proximidades.

Anos 80 – Reconhecimento: Estádio Manuel Anísio da Mota (O Galegão) na Nova Petrolândia

Na nova casa, persiste com as suas atividades e inaugura uma danceteria. Nascem Aurélio, Denise e Tenisson. Em 1989, participa das solenidades de inauguração do Estádio Municipal Manuel Anísio da Mota (O Galegão) na Nova Petrolândia. No final da década, diz adeus a Paulo Afonso e segue com Zezé e filhos para Aracaju.

Dos anos 90 a 2002: De volta ao aconchego, descanso

Em 1992, foi homenageado pelo prefeito de Petrolândia pela iniciativa de fundação do Central Futebol Clube e incentivo para o futebol. Em Aracaju, reativa a sorveteria, a oficina e a borracharia. Faz pequenos serviços. Aposenta. A dedicação ao futebol persiste somente pelo acompanhamento dos campeonatos na televisão. Em novembro de 2002, falece aos 83 anos. 

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