JOR.05 – Jornal do JUP

Dos “Jovens Unidos de Petrolândia”

Venha conosco conhecer um pouco sobre o Jornal do JUP, mais um periódico petrolandense.

Contexto histórico

Depois do Petro-Racha, o IGHP tem o prazer de trazer a público a história do Jornal do JUP, outro noticioso lançado em 1988. Criado com o objetivo de dar visibilidade aos problemas enfrentados pela população mais carente, o jornal traz serviço de utilidade pública, notícias sobre política, esporte, educação, lazer, além de humor, reflexões e denúncias, sobre a situação enfrentada pela população na nova cidade de Petrolândia, recém-construída.

Colaboradores, muito jovens à época, hoje nomes conhecidos como o do ex-prefeito Dr. Marcos Souza, da professora Adriana Araújo, do assessor legislativo e artesão Clébio Monteiro, entre outros, produziam matérias para o jornal com manchetes tais como: “Quadra 13: surge uma favela” , “Correios: as instalações foram bastante melhoradas, mas os serviços…”, “Matadouro: a carne nossa de cada dia”, que nos permitem entender o contexto daqueles primeiros anos vividos pelo povo de Petrolândia logo após o reordenamento territorial provocado pela construção da barragem de Itaparica.

“Jornal do JUP” (por Adriana Araújo*)

O ano era 1988. O início da nova experiência de moradia na nova Petrolândia. Essa realidade era de tristeza, desalento e de perceptível desorganização. Havia um sentimento de perda para todos. Mas a juventude estava mais perdida ainda, pois sequer se sabia onde moravam os amigos e colegas de escola. Não se tinha nem a igreja (espaço físico) para se encontrar.

Nesse contexto desintegrador, surge a ideia da formação de um grupo jovem: o JUP.

A princípio o objetivo era estar integrado com outros jovens e atuar em benefício da comunidade através de ações sociais tais como: buscar solução para os problemas encontrados nas visitas às famílias em dificuldades e aos presos na cadeia e prestar ajuda onde se fizesse necessário, até em velórios. Olhar a realidade e ajudar. Esse foi o começo.

Apesar de ter a participação de jovens da igreja católica, e contar com o apoio da Igreja, o grupo não era religioso e logo foi se estruturando para ser uma associação. Isso se concretizou quando a LBA (antiga Legião Brasileira de Assistência) propôs ao grupo assumir a organização de uma creche na quadra 13 com recursos desse órgão. A quadra 13 era uma periferia formada por famílias carentes que vinham em busca de emprego. As casas eram todas de taipa e lona e, além de muita necessidade, havia também muita discriminação por parte das pessoas do centro da cidade.

Para ficar apto a receber os recursos, o grupo foi legalmente registrado: Associação Jovens Unidos de Petrolândia.

A partir desse trabalho com crianças da periferia e suas famílias (e a discriminação que havia) o grupo sentiu a necessidade colaborar com a mudança estrutural da cidade, já que havia tantos desmandos.

Daí surgiu a ideia do INFORMATIVO JUP. Em conjunto, o grupo pensava nos assuntos a serem expostos no jornal. Os jovens do próprio grupo, de acordo suas aptidões, iam a campo para entrevistas, pesquisas e se encarregavam da redação.

O grupo todo cuidava da distribuição, um pequeno valor era cobrado pelo jornal. Havia também assinantes, os patrocinadores eram comerciantes locais. O Pólo Sindical do Submédio São Francisco era o grande parceiro: fornecia a máquina e o funcionário para que o jornal “fosse rodado” (a impressão era numa máquina a óleo). O grupo “datilografada” os textos, desenhava as logo marcas dos patrocinadores e o Pólo imprimia.

Em pouco tempo, o trabalho do grupo através do jornal foi conquistando o respeito dos petrolandenses porque viam a seriedade com que se fazia o trabalho.

Através do jornal, o grupo foi influenciando nas questões políticas e organizacionais da cidade. Isso colaborou muito para que reivindicações da população fossem atendidas, e até fosse mudada a gestão no pleito de 1992.

O jornal tem esse papel determinante de influenciar, fazer pensar e colaborar com a mudança. Em Petrolândia, o Jornal do JUP foi esse instrumento maravilhoso que tanto ensinou àqueles jovens e à população da época. A juventude e o jornalismo foram a grande força da reorganização de um povo que havia sido “des-terrado” de seu lugar. O jornal surgiu para levar o grito da juventude contra tudo o que havia de errado e para dizer que ali “era o novo lugar”. Era ali que se devia RECOMEÇAR, apesar da DOR e da TRISTEZA.

A juventude foi a força para o RECOMEÇO. Primeiro (e principalmente) para eles mesmos.

* Adriana Gomes de Araújo , é professora, psicopedagoga, coordenadora pedagógica da Escola Municipal 1 de Maio, e uma das dirigentes do PSOL de Petrolândia.

Nosso Acervo

O acervo do Jornal do JUP do IGHP abrange os exemplares a seguir.

ANNO I

ANNO V

  • Mai e Jun/93

ANNO VI

  • Jun e Jul/94

Pesquisa: Paula Francinete Rubens de Menezes