Petro-Racha: o quinzenal do BB (1987-1988)

Apresentação do jornal Petro-Racha criado  por empregados do Banco do Brasil em 1987, às vésperas do nascimento da  Nova Petrolândia.

Um grito de alerta (e algumas gargalhadas, por que não?)

Na esteira da apresentação dos jornais petrolandenses A Semente plantada a um século (1921-1924) e Revivendo o Correio do Sertão (1934-1937), este IGHP presenteia seus leitores com um singelo resgate histórico do Petro-Racha.

Viaje e sorria com a gente!

Contexto histórico

Impresso quinzenalmente pela gráfica pauloafonsense São Vicente de Paulo com tiragem de 250 exemplares e distribuição gratuita, o periódico nascia com espírito informativo embebido nas turbulentas águas do Velho Chico de então, mas ao mesmo tempo pretendia promover leveza e graça com seus textos e ilustrações anedóticos e poéticos.

Instigados por um sentimento de indignação diante de riscos e problemas observados no planejamento urbanístico da implantação da Nova Petrolândia, empregados do Banco do Brasil (diretor/redator e idealizador do jornal Mário Constâncio, presidente Tony e colaboradores Beth, Agnaldo, Hélio e João, Geraldo e Vicente) resolveram fundar em 1987 o jornal Petro-Racha às vésperas da conturbada fundação da nova cidade.

Um inédito do fundador

O IGHP, com o objetivo de reunir mais informações sobre o jornal, solicitou apoio a um de seus fundadores. O resultado, a nosso ver, conseguiu muitíssimo mais: recontar uma história datada de mais de duas décadas com astúcia, atualidade, graça e saudade.

O Petro-Racha

Foi nos idos de 1987 que os funcionários da agência do banco do Brasil da antiga cidade de Petrolândia, tangidos pela imperiosa força do progresso, em virtude do enchimento do lago da usina hidrelétrica de Itaparica, hoje denominada usina hidrelétrica Luiz Gonzaga em justa Homenagem ao eterno "Rei do Baião", tiveram que se mudar para nova cidade ainda em processo de construção pois, a velha cidade iria soçobrar nas águas do Velho Chico, no imenso imenso lago da represa da hidrelétrica.

Recém-transferidos para uma agência pré-moldada de pé direito baixo onde o calor infernal imperava, localizada no espaço onde hoje é a praça da matriz católica, aguardavam a construção da atual agência.

Acresce que, movidos e comovidos com a correia da mudança e o sofrimento dos clientes e a população em geral, então sem água potável, em decorrência dos problemas advindos da implantação da cidade que teve seu plano urbanístico instituído na contramão do progresso sem pensar no porvir pela secretaria de habilitação do estado, viviam a desventura, no fim do século XX , de receber uma cidade caduca sobre os aspectos da ambiência viária e o projeto arquitetônico, com ruas de "meia polegada" (força de expressão) para traduzir as ruas estreitas demais com 3,50m de largura, haja vista as da antiga cidade que eram largas e fluentes, e como não bastasse, a rede coletora dos esgotos sanitários sub-dimensionada com manilhas de barro passando por dentro dos muros das casas das pessoas ( um verdadeiro atestado de incompetência), mazelas que perduram até hoje com os constantes entupimentos, problema somente agora atenuados com a substituição da rede coletora com tubos de PVC bem dimensionados seguindo a linha d'água do meio fio das ruas até hoje sem bocas de lôbo.

Também não existia a orla ( cartão postal da cidade ) construída anos após no governo do saudoso Dr. Simões.
Outro agravante que merece destaque foi o tenebroso fenômeno intitulado Colapsividade do solo, que fissurava tudo, rachava toda e quaisquer edificações que fosse construída sobre o solo da nova cidade, e que trouxe muito espanto por parte das pessoas, tornando cada vez mais onerosos os custos das construções que teriam que ter as estruturas das fundações com muito ferro e concreto armando… Fenômeno aquele, nunca antes nem então estudado pelos engenheiros da Chesf nem tampouco pela secretaria de habilitação do estado…

Segundo o imortal Lêdo Ivo, em sua crônica "A Fábula da Cidade" - " Uma casa é muito pouco para um homem; sua verdadeira casa é a cidade. E os homens não amam as cidades que os humilham e sufocam, mas aquelas que parecem amoldadas as suas necessidades e desejos, humanizadas e oferecidas- uma cidade deve ter a medida do homem…

Conscientes disso e com o firme propósito de bem informar, foi naquele contexto histórico que os funcionários da agência do banco do Brasil fundaram o jornal quizenário S.D.E, ou seja: Sem Denominação Específica… Somente depois, mais ou menos a terceira edição é que foi feito um concurso informal interno com o propósito de escolher o título para o jornalzinho que teve entre outros nomes os seguintes: Racholandia, luminária; Petro-Racha, etc, tendo sido aclamado a Denominação Petro-Racha, em virtude de ser o nome mais plausível para o contexto da história.

O aludido jornal teve vida curta, cerca de umas quatorze edições, ou pouco mais ou menos que isso, contudo, cumpriu a sua missão de ser veículo de informação, abordando vários temas, desde as histórias jocosas inventadas às informações mais sérias…

Tony
25.04.2021

Nosso acervo

O acervo do Petro-Racha do IGHP abrange uma simbólica coleção de páginas avulsas das edições 06 (15/12/1987) e 07 (05/01/1988) doadas pelo amigo Vicente José da Silva.

Pesquisa/Revisão: Paula Francinete Rubens de Menezes

Revivendo o Correio do Sertão (1934-1937)

Apresentação do acervo de edições do Correio do Sertão organizado pelo IGHP.

Falando com o Sertão

O IGHP mais uma vez se regozija em poder convidar seu público a reviver as tantas histórias contadas em prol do povo sertanejo pelo Correio do Sertão na Jatobá e Itaparica nos meados da marcante e decisiva década de 30 no Brasil.

Embarque com a gente e boa viagem!

Contexto histórico

Em março de 1934, a nova Constituição do Brasil é promulgada e Getúlio Vargas, governando desde 1930 em regime provisório, acabara de garantir a continuidade de seu governo por mais quatro anos, abrindo passagem à sua fase ditatorial. É então em outubro deste mesmo ano, distante uma década do último número do seu A Semente, que Hildebrando Gomes de Menezes funda, em Jatobá, seu segundo jornal denominado CORREIO DO SERTÃO.

Do acervo de Publicações Digitalizadas da Fundação Joaquim Nabuco no Volume 13 da “História da Imprensa de Pernambuco”, à página 555 em seção intitulada “CORREIO DO SERTÃO”, da parte que versa sobre o município de Petrolândia, temos que o novo jornal de Hildebrando “(…) apoiou, politicamente, o governo estadual, ocupado por Carlos de Lima Cavalcanti“.

Em 1930 Hilbebrando é nomeado Delegado de Ensino de Jatobá de Tacaratu pelo então Governador Carlos de Lima Cavalcanti, acumulando esta função com a de prefeito, nomeado pelo mesmo governador, estando assim ligado à Comarca de Tacaratu, então sede do Município.

Do livro “De Jatobá a Petrolândia – três nomes, uma cidade, um povo” (de Gilberto de Menezes, filho de Hildebrando)

Na Jatobá de 34 a expectativa era de progresso: empregos em alta, dinheiro circulando e comércio movimentado, a Cia. Agrícola e Pastoril do São Francisco iniciando os trabalhos de aproveitamento do potencial energético da cachoeira de Itaparica e a Comissão de Piscicultura do Nordeste chegando para desenvolver melhoramento das espécies em águas correntes, visando ao abastecimento de peixes nos açudes construídos pela então Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (atual DNOCS).

No Estado, no entanto, o clima político se desgastava celeremente, o que motivou seu interventor a organizar o Partido Socialista Democrático a fim de concorrer nas eleições indiretas. Descontente com as tentativas de Vargas de perpetuação no poder, Carlos de Lima vai se convertendo em crítico tenaz da situação através de seus jornais. Em 10 de novembro de 1937 se configura o golpe com a instauração do Estado Novo e os agora então perseguidos irmãos Lima de Cavalcanti têm seus jornais fechados e Agamenon Magalhães é nomeado novo governador de Pernambuco.

Não por acaso, nessa mesma época, em Itaparica (novo nome da cidade de Jatobá, modificado através do projeto de Lei do então Deputado Hildebrando), seguramente ciente dos riscos aos quais estava sujeita a ‘imprensa livre’ da época durante regimes detatoriais, Hildebrando resolve se antecipar optando pelo abrupto encerramento das atividades do Correio do Sertão.

Todavia, amante que era das letras e de sua região, não abandonou o ofício e passou a atuar como colaborador dos recifenses Diário de Pernambuco e Jornal Pequeno, geralmente publicando artigos em defesa do Sertão.

Um semanário sertanejo

Tendo o “PROGRAMMA – DEFEZA DOS INTERESSES SERTANEJOS” como subtítulo permanente desde seu número inaugural a 4 de outubro de 1934 até o derradeiro em 28 de fevereiro de 1937, o semanário fundado por Hildebrando de Menezes e impresso pela Tipografia União (também de sua propriedade) descreve seu “programma” de propósitos logo na matéria de capa de sua primeira edição conforme abaixo:

E esse programma é excluzivamente defender os interesses sertanejos. Sem paixão, sem partidarismo, impessoal no commento dos factos, sincero na explanação das necessidades do nosso empobrecido hinterland, com uma secção de informações veridicas doas acontecimentos que se desenrolarem no Paiz, destinada ao nosso sertanejo que não tem tempo ou recurso para ler os grandes jornaes, o Correio do Sertão tem ancia de ser util desse modo a zona em que nasceu e vae viver.

Parágrafo 2º. do Nº. 1 do Correio do Sertão

É com ares de uma simbólica modernidade, aqui percebida no vocábulo interior, traduzido do estrangeirismo “hinterland” no fragmento acima, que o “falar para o interior e em nome das causas sertanejas” parece timbrar a destinação primária do novo jornal de Jatobá. Tomaram corpo nas folhas da publicação temáticas como agricultura, irrigação, crédito para o sertão, pecuária, alimentação, higiene, ruralismo e fomento à produção de mamona e algodão, dentre outras.

Antenado com as mudanças advindas da nova Legislação Eleitoral em vigor a partir de 1934, que entre outras mudanças, passava a permitir o voto feminino, o Correio do Sertão abriu espaço a publicações de autoria de moças de famílias ilustres, reconhecendo o protagonismo das mulheres no setor literário e cultural. Setor este, altamente prestigiado pelo jornal, com destaque para as festas do Padroeiro, os festejos natalinos e o carnaval, que também mereceram ampla cobertura.

Constata-se ainda, no mesmo texto referido acima de lançamento do jornal, o importante elo entre entre as duas empreitadas jornalísticas do visionário Hildebrando, quando lemos que o Correio do Sertão “(…) veio substituir ‘A Semente’ que plantamos aqui com a confiança inabalável de crentes na força praliferadora das bôas ideias; é elle assim, como que o fruto dessa semente que praliferou no bom terreno alimentado pelas nossas forças espirituaes”.

Além de seguir carreira na trilha aberta de A SEMENTE, é também digno de nota que o fundador do Correio do Sertão se sentia motivado pela prévia experiência de dirigir o JORNAL DA PEDRA e cuidar para que a luta em prol dos interesses da zona sertaneja não esmaecesse.

Em formato de 33/22 cm e com 4 páginas de quatro colunas estreitas, manteve-se até seu fechamento com a promessa de sempre sair aos domingos, embora tenha saído também em datas incertas. Do Volume 13 da “História da Imprensa de Pernambuco” referenciado no início desta postagem, temos também que Hildebrando sempre esteve na função de diretor (apesar de suas longas ausências) e que nunca se viu tabelas de assinaturas e nem se divulgaram nomes de outros redatores. Todavia do texto da FUNDAJ sabe-se também que o jornal “Inseria, também, colaboração de Alexandre Meneses, Lauro Góis, Vesano, o das ‘Maluquices’; Djalma Meneses, A. Mendonça, M. N. G., autor da seção ‘Perfilando’; Estevão Soares e, além de raros outros, Olho Grande que, cada ano, redigia, na época carnavalesca, a seção ‘No reinado da pândega’. Alguma literatura, propriamente, veio a ocorrer já no fim da existência da folha”.

Anúncios pitorescos do Sertão

Fizemos recortes de anúncios das folhas do Correio do Sertão de nosso acervo. Destaca-se o da loja M. Ovídio & Sobrinho (de Manuel Ovídio) pela variedade de produtos em oferta (de colchões a leite condensado). “O Barracão”, como era popularmente conhecido, mudou de proprietário e passou a se chamar “Casa Baiana”, mas manteve-se funcionando no mesmo endereço e munido do sortimento de sempre até a transferência da cidade, em razão da construção da barragem de Itaparica.

O famoso depurativo “Elixir de Nogueira“, o “Xarope S. João” com seu grito libertador “Larga-me! Deixa-me gritar“, o poderoso tônico “Vinho Creosotado” e para dor de cabeça a “CAFIASPIRINA” da BAYER (em três divertidas versões de propagandas) na linha de frente dos produtos medicinais.

A “CLÍNICA ODONTOLÓGICA Antônio Almeida“, a “Loja S. Pedro” e a “Typographia União” (do fundador do jornal) são outros anunciantes que marcavam presença no jornal.

A galeria abaixo reúne nossos recortes dos anúncios citados acima:

Nosso Acervo

O acervo do Correio do Sertão do IGHP abrange quase metade do total de 94 edições publicadas do jornal, sendo 46 números mais uma edição Suplementar de 13/05/1935. As mais de 170 imagens de páginas do jornal foram capturadas a partir de originais doados a este instituto por Gilberto de Menezes, filho de seu fundador.

Com a finalidade de completar este acervo, o IGHP deseja ainda acessar as edições publicadas entre novembro de 1935 e fevereiro de 1937, que constam da coleção completa dos exemplares publicados pelo Correio do Sertão, doada por Hildedrando ao Arquivo Público Estadual de Pernambuco.

ANNO I

    • Nº. 01 (dia 04) – Correio do Sertão
    • Nº. 02 (dia 14) – Pro Agricultores das Serras Negra e do Periquito
    • Nº. 03 (dia 21) – Commentarios Opportunos
    • Nº. 04 (dia 28) – Pelo Sertão Nordestino

    Out/34

    • Nº. 05 (dia 04) – Medidas Contra as Seccas nos Sertões do Nordeste
    • Nº. 06 (dia 11) – Pelos Principaes Interesses do Sertão
    • Nº. 07 (dia 18) – A Emmissão de Apolices do Estado para Garantia de um Emprestimo a Cia. Agrícola e Pastorial do S. Francisco
    • Nº. 08 (dia 25) – Pela Instrucção; Sobre o ensino religioso nas escolas

    Nov/34

    • Nº. 09 (dia 02) – O Travessão da Serra de Tacaratú. Sua importância e seus oppositores
    • Nº. 10 (dia 09) – Com o fisco federal
    • Nº. 11 (dia 16) – A situação da pecuaria sertaneja
    • Nº. 12 (dia 23) – O aniquilamento do banditismo
    • Nº. 13 (dia 30) – Pró interesses do Sertão

    Dez/34

    • Nº. 14 (dia 06) – O travessão da Serra de Tacaratú
    • Nº. 15 (dia 13) – Commentarios opportunos
    • Nº. 16 (dia 20) – As necessidades do Sertão como estão sendo tratadas no Recife
    • Nº. 17 (dia 27) – A irrigação salvará o sertão do flagello das seccas

    Jan/35

    • Nº. 18 (dia 03) – Credito para o Sertão
    • Nº. 19 (dia 10) – O travessão da Serra de Tacaratú
    • Nº. 20 (dia 27) – Pela nossa pecuaria
    N.º 20: A página 3 está como 'Segunda página' , acreditamos ter sido erro na impressão.

    Fev/35

    • Nº. 21 (dia 03) – Pro interesses de Floresta
    • Nº. 22 (dia 10) – Necessidades de Caixas ruraes no Sertão
    • Nº. 23 (dia 24) – A serra de Tacaratú
    • Nº. 24 (dia 31) – Dois grandes certames
    N.º 23: Está faltando a página 3 deste número.

    Mar/35

    • Nº. 25 (dia 07) – Cuidemos de nossas terras
    • Nº. 26 (dia 21) – DO RECIFE
    • Nº. 27 (dia 28) – Emendas ao Ante Projecto de Constituição do Estado
    N.º 25: Estão faltando as páginas 2 e 3 deste número.

    Abr/35

    • Nº. 28 (dia 12) – Necessidade de credito para o sertão
    • Suplemento (dia 13) – PELOS INTERESSES DA IMPRENSA DO INTERIOR DE PERNAMBUCO
    • Nº. 29 (dia 19) – DO RECIFE; Projecto do Governo do Estado
    • Nº. 30 (dia 26) – DO RECIFE; Semana Ruralista em Jatobá
    N.º 28: Neste número observamos que a página 1 está com data de 13/05/1935 e acreditamos que possa ter sido erro na impressão, uma vez que as demais páginas estão com data de 12/05/1935 e dia 13 saiu o Suplemento.

    Mai/35

    • Nº. 31 (dia 02) – DO RECIFE; O plantio do feijão
    • Nº. 32 (dia 16) – DO RECIFE; Senana Ruralista de Jatobá
    • Nº. 33 (dia 23) – DO RECIFE
    • Nº. 34 (dia 30) – DO RECIFE; A Installação do Circulo de Amigos da Instrucção

    Jun/35

    • Nº. 35 (dia 07) – A nossa exposição
    • Nº. 36 (dia 26) – As Semanas Ruralistas
    N.º 36: Neste número observamos que as páginas 3 e 4 foram indevidamente impressas como 'Sétima' e 'Oitava' páginas, respectivamente. 

    Jul/35

    • Nº. 37 (dia 04) – OS TRABALHOS DA SEMANA RURALISTA DE JATOBÁ
    • Nº. 38 (dia 11) – O que penso sobre candidactos a prefeitos e vereadores do nosso municipio
    • Nº. 39 (dia 25) – O nosso municipio acima de tudo

    Ago/35

    • Nº. 40 (dia 01) – DO RECIFE; OS TRABALHOS DA SEMANA RURALISTA DE JATOBÁ
    • Nº. 41 (dia 08) – TUDO PELO NOSSO MUNICIPIO
    • Nº. 42 (dia 15) – Em torno de um projeto util
    • Nº. 43 (dia 29) – Verdades que devem ser conhecidas
    N.º 42: Este foi o último número em o nome da cidade foi impresso como 'Jatobá'.
    N.º 43: A partir deste número o nome da cidade passou a ser impresso como 'Itaparica' ou 'Itaparica (Antigo Jatobá).

    Set/35

    • Nº. 44 (dia 06) – NOSSO PRIMEIRO ANNIVERSARIO
    N.º 44: Este foi o último número do ANNO I do semanário.

    Out/35

ANNO II

    • Nº. 45 (dia 13) – O algodão e a mamona
    • Nº. 46 (dia 20) – Prespectiva Agradavel
    • A resgatar …

    Out/35

Pesquisa: Paula Francinete Rubens de Menezes

A Semente plantada há um século (1921-1924)

Venha conosco conhecer um pouco da história de nossa Petrolândia através da voz de A Semente, seu primeiro jornal plantado há um século.

Contexto histórico

O ano era 1921 e Pernambuco vivia um período de incertezas em virtude das sucessivas substituições no comando do governo estadual, provocado pelo afastamento , por doença, do governador eleito em 1919, quando o  jovem Hildebrando Gomes de Menezes, vindo de Caruaru, abre a Drogaria MeneZes e monta a Tipografia União (junto ao seu primo Alfredízio Menezes) em Jatobá de Tacaratu.

Jatobá (atual Petrolândia) amargava uma severa decadência econômica decorrente em grande medida da frustação dos planos de navegabilidade do rio São Francisco, deixando assim de ser sede do município e retornando à condição de distrito de Tacaratu. O jornal A SEMENTE surgia então, naquele desolado contexto, como uma alvissareira novidade.

Aproveitando-se da experiência acumulada em Caruaru como principal colaborador do semanário A UNIÃO, da Associação Caixeiral Caruaruense, lança em Jatobá seu próprio jornal batizado de A SEMENTE. Seu primeiro número é publicado em fevereiro de 1921 e, em outubro de 1922, o magistrado Sergio Loreto, natural de Águas Belas (PE), elege-se Governador de Pernambuco pelo Partido Republicano Conservador, como alternativa encontrada pelas diversas forças políticas da República Velha para o apaziguamento da situação de conflito no estado, provocado pela contestação do resultado das últimas eleições.

Ocorre que, apenas dois anos do início da circulação de seu jornal, Hildebrando é convidado pela Agrofabril Mercantil a assumir o cargo de diretor e redator chefe do Jornal Correio da Pedra (fundado pelo empresário Delmiro Gouveia e que ficou em circulação durante 12 anos desde 12/10/1918). Convite aceito, muda-se para Vila de Pedra, atual Delmiro Gouveia, onde trabalha de 1924 até 1930.

Assim sendo, mesmo mantendo a tipografia, a publicação do último número de A SEMENTE em 03/06/1924 põe um ponto final a sua breve história. Contudo, 10 anos depois, como que cumprindo a uma inusitada profecia literal, nasce o Correio do Sertão do mesmo Hildebrando.

Uma ‘existência acidentada’

Do acervo de Publicações Digitalizadas da Fundação Joaquim Nabuco no Volume 13 da “História da Imprensa de Pernambuco”, em sua seção intitulada “A SEMENTE”, da parte que versa sobre o município de Petrolândia (página 553), extraímos o poético fragmento copiado abaixo e provavelmente constante na edição inaugural de fevereiro de 1921 do Jornal A Semente:

“Hoje plantamos a nossa A Semente” – escreveu a redação – “…aquela de onde poderá brotar o progresso, raiar a luz de ideais alevantados, surgirem forças garantidoras de promissor futuro para essa inventurosa terra. Germinará? Crescerá? Borrifemo-la com o vigor de nossas energias de moço, aquentemo-la com os raios do nosso carinho e do nosso otimismo e a pobrezinha talvez adquira a força necessária para o desempenho de suas funções.”

Da redação de A Semente em seu número inaugural

Festejando assim os 100 anos de nascimento deste jornal, completados no último fevereiro, o texto disponibilizado na Fundaj segue descrevendo a “existência acidentada d’A Semente” e referencia ao seu final a Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco como fonte. A fim de preservar a apresentação no original digitalizado da obra dessa relíquia que nos conta um pouco da história de A Semente, colaboramos com a colagem abaixo de seu conteúdo na íntegra:

Voltando no tempo

E para instigá-lo a entrar na máquina do tempo da história e se deleitar com notícias de uma Petrolândia viva na memória afetiva de seus filhos, o IGHP tem a alegria de compartilhar ao final desta postagem a edição quase completa do último número de A Semente de 3 de Junho de 1924 (Ano 3). Nela você provavelmente ficará um tanto perplexo com as “Queixas innocuas (sic)” e os “fuchiqueiros” na matéria de capa sobre a então lastimosa situação política e administrativa de Jatobá. Por outro lado ficará muitíssimo bem informado acerca do detalhado andamento da construção de uma escola e uma cadeia pelos trabalhadores da firma Brandão Cavalcante. Mas como ninguém é de ferro poderá também apreciar a “INTELLIGENCIA (sic) FEMININA DE JATOBÁ” nos textos premiados com menção honrosa pelos Amigos de Momo: “A rosa” de Feliciana de Menezes, “Porque (sic) amo Jatobá” de Lilia Cavalcanti e “O Riso” de Maria Luiza da Costa.

Boa viagem!

Nota aos petrolandenses nostálgicos

O IGHP aproveita a oportunidade para solicitar que nos contatem aqueles que por ventura tenham em mãos outras edições desta peça jornalística, que nos alimenta o ânimo de manter o empenho em preservar e (re)contar a história de nossa querida cidade.

Pesquisa: Paula Francinete Rubens de Menezes